(In)vísível sensibilidade

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doc.Eremitas – Espetáculo do NAC – Núcleo de Artes Cênicas. Foto: Marcelo Villas Boas. Atriz: Camila Rocha

Em terra de cego
quem enxerga o outro, ama!

No exercício de fazer a arte
começa uma jornada de conhecer-se.
Perceber o que se percebe.
Descobrir com que olhos, filtros,
interage com a realidade.

E a partir desta observação,
tornar-se mais sensível, permeável.

Para contar uma história que transpasse,
é necessário primeiro nos fazer
ser atravessados por ela.
Estar aberto,
olhar aberto,
escuta aberta.

Falar do outro sem apontar,
mas revelando sua visão de mundo.

Ousar olhar através dos seus olhos.

Não há nada de cinza ou invisível,
na essência de todo ser humano
há luz e o pulsar da vida.

Coloque-se em mais alta vulnerabilidade,
fragilidade, sensibilidade e o que surgirá
será a sagaz e incontrolável busca pela de conexão,
ligação à salvação.

Aceitar sofrer, pouco, para não sofrer muito.
Anestesiar os sentidos, para encolher os espinhos.
Oferecer um abraço, o pedido de um filho que não se tem.
Buscar fora do mundo explicação para as coisas do mundo.
Observar o humano a partir do refugo do humano.

 
Por vezes, para se transformar é preciso
afundar-se em seu próprio navio.
E então, mesmo que nos últimos instantes,
encontrar a capacidade de ouvir
todos aqueles que compartilhavam de sua jornada.

Que nenhum olhar
Que nenhum pedido
Que nenhum choro
Que nem um só nó na garganta
sejam ignorados.

Invísível é aquilo que não temos
a sensibilidade para perceber.

Que os olhos e ouvidos escutem com o coração.

 

— Inspirado pelas reverberações da peça DOC.Eremitas do NAC – Núclero de Artes Cênicas

 

 

 

Referências:

 

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