A PROFECIA DE SHAMBALA

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A PROFECIA DE SHAMBALA

Joanna Macy  (tradução do ingles por Lilian Avivia Lubochinski)

 

Introdução

Existem várias interpretações desta profecia. Algumas retratam a chegada do Reino de Shambala como um evento interior; uma metáfora da jornada espiritual individual, independente do mundo ao nosso redor. Outras, a apresentam como um evento inteiramente externo que se desdobrará em nosso mundo independendo de nossas escolhas ou de nossa participação na cura de nosso mundo. Uma terceira versão da profecia me foi dada pelo meu amigo e irmão de Dharma Choegyal Rinpoche, da comunidade Tashi Jong no norte da Índia.
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Um tempo chegará quando toda a vida existente no planeta estará em perigo. Neste tempo, dois grandes poderes se levantarão; são os lalos (os bárbaros). Um no hemisfério ocidental e outro no centro do continente da eurásia. Apesar de que estes dois poderes gastaram suas riquezas nos preparativos para se aniquilarem uns aos outros, eles têm muito em comum: armas de poder de morte e de devastação imensuráveis além das tecnologias que destroem o nosso mundo. Será neste tempo, quando todo o futuro da vida consciente estará por um fragilíssimo fio, que o Reino de Shambala começará a emergir.
É impossível ir até lá, pois não se trata de um lugar, não é uma entidade geopolítica. Este reino existe no coração e nas mentes das guerreiras de Shambala (o termo usado pelo mestre Choegyal foi guerreiros).
Você tampouco pode reconhecer uma guerreira de Shambala quando você a vê, pois elas não usam nenhum uniforme, nenhum emblema, não carregam bandeiras. Elas não têm barricadas para subir e ameaçar o inimigo ou para, por trás delas se proteger ou descansar, ou se reagrupar. Nem mesmo têm o seu território natural pois precisam se mover o tempo todo dentro do território dos bárbaros.
Um tempo haverá de chegar quando as guerreiras de Shambala terão que ter grande coragem, física e moral pois elas deverão entrar dentro do cerne, do coração mesmo do poder dos bárbaros, dentro das grandes profundezas, dos bolsões e das fortalezas onde estão guardadas as suas armas e desmontá-las. E para desmontar as armas, literalmente, elas deverão entrar dentro dos corredores do poder onde as decisões são tomadas.
As guerreiras de Shambala têm a coragem para fazer isso pois elas sabem que estas armas são manoyama. São uma fabricação da mente. Sendo assim, produzidas pela mente humana elas podem ser desfeitas pela mente humana.
As guerreiras de Shambala sabem que os perigos que ameaçam a vida no planeta terra não chegam de nenhum poder extraterrestre, ou brotam em mentes satânicas ou mesmo seriam um destino horrível pré-estabelecido, mas sim de nossas escolhas, de nossos estilos de vida, de suas relações pessoais.
Neste tempo as guerreiras de Shambala começarão seu treinamento. Quando Choegyal disse isso, eu perguntei, “Como elas treinarão?” Elas treinam, disse ele, usando duas armas. “Quais armas?” perguntei, e ele pondo suas mãos do jeito que os lamas seguram o sino e o dorje do ritual de dança dos lamas.

As armas são compaixão e visão profunda. Ambas são necessárias, disse ele. Você tem que ter compaixão porque ela te possibilita o poder, a paixão que te move; quando você se abre para a dor no mundo você se move.
Mas só esta arma não é suficiente.
Ela pode te levar a um desgaste total, por isso você precisa da outra. É a sabedoria acerca da interdependência radical entre todos os fenômenos – a interconectividade, a ecologia profunda. Com esta sabedoria, você sabe que não é uma batalha entre os bonzinhos e os vilões, mas que a linha que existe entre o bem e o mal atravessa toda a paisagem de cada coração humano. Com esta visão profunda acerca de nosso profundo inter-relacionamento saberá quais ações empreender com a pura intenção de obter repercussões em toda a teia da vida, muito além do que você poderá medir ou discernir.
Por si só, esta visão profunda pode parecer muito legal, muito conceitual para dar conta de te sustentar e te manter em movimento, por isso você precisa do calor da compaixão. Juntos, dentro de cada guerreira Shambala e entre elas, as guerreiras de Shambhala, estas duas armas poderão sustentar-nos como agentes da mudança social. Elas são dádivas que podemos agora conclamar para a cura do nosso mundo.

 

 

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