Proclamação

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Proclamação

 

Que as artérias do mundo se ressequem

do sangue derramado.

Que as cidades fujam para os campos.

E o único ouro manuseado

seja o trigo maduro das colheitas.

 

Que os palácios se despovoem

e os tetos das escolas desmoronem

e as crianças frutifiquem nos prados.

 

Que os pedreiros desmanchem os muros

e ergam casas nos bosques, nos mares, no espaço.

 

E que as mães governem o planeta,

como guardiãs do lar terrestre.

E teçam na soleira do mundo

os costumes e as leis das nações

e as escrevam no leite das crianças

e no pão de cada dia.

 

Para quê fantoches do poder e canibais de uniforme,

se os jardins se cultivarão em comum,

e os viajantes estelares virão para o chá?

Que os quartéis se cubram de silêncio

e se graduem cemitérios da guerra.

 

E que a paz sobrevenha sem mácula,

modesta flor de quintal,

virgem discreta, cheia de carícias,

ofertando-se sem pressa

a homens, mulheres e crianças…

Não se pode renegá-la para sempre.

 

Que se cumpram as profecias

dos loucos, dos mártires e dos poetas…

John Ruskin

(Psicografia: Dora Incontri)

 

 

 

– Inspiração para (re)publicar ao acessar o artigo:

Estamos começando… Construindo a Universidade Livre Pampédia. http://bloguniversidadelivrepampedia.com/2015/03/10/estamos-comecando-construindo-a-universidade-livre-pampedia/

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